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Capitulo 1 A luz do luar entrava pelas frestas das folhas de prata do velho carvalho da fortuna iluminando a casa de galhos e cascas por todos os lados. Mesmo naquela noite iluminada uma figura se esgueirou nas poucas sombras para passar despercebida. Uma pequena mão cuja pele parecia feita de madeira surgiu entre as sombras e puxou uma corda que fez soar uma serie de pequenos sinos de madeira. A parede se contorceu e se dobrou criando uma abertura convidativa. Por dentro a casa era bem iluminada pela luz que atravessava as frestas na parede. Assim que a figura evitou caminhar para a luz as frestas nas paredes se fecharam como se as paredes tivessem músculos. No centro da casa em uma flor que parecia um trono, uma figura feminina com a pele prateada parecia transmitir luz do próprio corpo. Ela se deitava preguiçosamente enquanto comia uma amora, que pelo seu diminuto tamanho parecia grande como um cacho de uvas. Ela esperava pela visita que se esgueirava pelas sombras da casa. Por um instante ela parou de comer e olhou para as trevas com sua boca roxa pelo suco da fruta. Seus olhos se dirigiram preguiçosamente para as trevas que se contorciam, indecisas se entrariam na luz. - Você não joga, pois tem medo de perder? Não se declara a seu amor por ter medo de ser rejeitada? Não dança para não passar pelo ridículo? Não vive para evitar a dor? – Ela parou de olhar para as trevas sem mais interesse. – Então seu lugar é em meio as trevas, aonde ninguém saberá de sua existência e a escuridão escondera como fica mais patética a cada dia que passa. A escuridão se acalmou. A sala não ficaria menos iluminada e a figura não se revelaria na luz. Ouve silencio por uns instantes e duas pequenas mãos surgiram segurando um delicado pacote, feito de folhas de sonhos secos e amarrado em multicoloridos fios de esperança. A fada prateada se levantou de seu trono revelando sua esplendorosa beleza, suas asas tremiam de excitação. Vários galhos que seguravam enfeites e cortinas se soltaram em direção ao pacote como tentáculos ansiosos. O pacote retornou para a escuridão. - Eu chamei sua atenção Lua de prata? – A voz fraca e insegura que saia tinha um toque de triunfo. - O que é isso? – Lua de prata voava em zigue-zague pela sala tremendo de ansiedade. – O que é a troca que você queria fazer comigo? O que é tão secreto que você pediu para que todas as minhas servas nos deixassem sozinhas? O que você quer pra me mostrar o que tem embrulhado nisso? - Nada! – Suspirou a escuridão cada vez com mais segurança. – Não me interesso mais por esses joguinhos. O que eu tenho aqui é o que existe de mais valioso para você. - Ninguém embrulharia mil sonhos de amor inocente em folhas de sonho seco. – Lua de prata ficou desconfiada. - Estragaria a mercadoria. - Mas nada preserva a razão como sonhos secos. - Razão? – Os olhos de Luz de prata tremiam e cintilavam. – Eu não preciso de razão. – Mentiu Lua de Prata como se não tivesse nenhum interesse. - Eu não tenho nenhuma dificuldade em conseguir razão. - Não um pedaço puro e cristalino de razão. Mil anos de Razão. – Chiou as sombras com um som de vitória. – Razão o suficiente para olhar para seu próprio reflexo, livremente. Por toda sua vida. Lua de Prata engoliu seco. Fadas são belas, vaidosas e desmioladas. Tão belas, tão vaidosas e tão desmioladas que se uma fada olhar para seu próprio reflexo vai se apaixonar perdidamente pela sua própria imagem a ponto de definhar de fome e sede até que a imagem seja retirada de sua fronte. É comum que uma fada fique hipnotizada pelo seu reflexo na água até o anoitecer, mas se olhar em um espelho é como ter sua pena de morte decretada. Como fadas são desmioladas, o único modo de contemplar seu próprio reflexo é com a razão roubada de um mortal. Infelizmente para Lua de prata cuja beleza era incomparável mesmo entre as fadas a razão de 100 homens dos mais sérios e respeitáveis não era suficiente para mais do que uma leve espiada em seu reflexo. - E porque você não ia querer ficar com isso pra você? – Lua de Prata perguntou desconfiada. Fadas são muito desconfiadas já que elas próprias não são muito confiáveis. - Diferente de você, minha própria imagem não é algo que pode me levar à loucura. Na verdade prefiro evitá-la. - O que você quer por isso? - Lua de prata lambeu os beiços. – Cem desejos de crianças? O coração de um dragão? Uma cortina feita de um pedaço de noite? Sua própria nuvem de tempestades? Uma parte da minha própria beleza? Olhos que podem ver o futuro? Uma voz que controla o coração dos mais fortes? Minha arvore com folhas de prata? Lua de prata não tinha idéia do que oferecer. Pela lei das fadas toda troca deveria ser de valor equivalente, mesmo que fosse mediante a logro. - Quanto mais bela é a fada, mais atraída por sua própria imagem ela é e mais suscetível a uma beleza superior a sua. Titânia a rainha de Firewood se apaixonou perdidamente por você e se tornou sua escrava de corpo e alma. A pedido de seus súditos desesperados, por mil dias você usou o rosto de um morcego para que a sanidade dela fosse restaurada. Com isso titânia ficou com uma divida de vida com você. - Titânia é minha amiga, Mab. – Lua de prata parou por um momento. – Você a inveja desde que a neve começou a ser branca e feita de gelo. É notório que você quer mal pra ela e não vou deixar você fazer nada que possa prejudicá-la. - Todos sabem que a amizade das fadas é tão estável quanto a forma de uma nuvem. Uma divida a ser paga! Esse é o único preço que quero pelo meu pedaço de razão. - Palavras! Palavras! Palavras! Uma divida que vale uma vida. Passei minha vida sem contemplar meu rosto mais do que alguns instantes na água e posso passar o resto da vida assim. - Mas não precisa. Eu posso prometer que não vou usar a divida contra Titânia. Lua de Prata ficou interessada. Fadas adoram mentir porque não podem faltar com sua palavra, por isso muito raramente as usam. - O que você pretende fazer com essa Divida? Capitulo 2 Muito longe daqui, no meio do oceano existe uma grande ilha escondida em meio a uma nevoa mágica, uma ilha que existe ao mesmo tempo em vários mundos diferentes. Esta ilha é chamada de Avalon e para muitas pessoas não passa de uma lenda, graças à mágica que a esconde, mesmo olhando do espaço com um telescópio muito potente só vai vê um monte de água naquela região, Pois a ilha não pode ser vista a menos que ela queira. Lá existe um reino mágico com seres de todos esses mundos em que a ilha existe. O reino mágico de Avalon. Um pouquinho afastado em meio a montanhas se esconde um lindo castelo com dez torres que quase alcançam as nuvens e dentro dos muros deste castelo existe uma cidade mágica. Este castelo é a maior academia de magia de todos os tempos, aonde jovens com habilidade mágica aprendiam muito mais do que podiam imaginar que existia sobre magia. A academia de magia de Sephirot. No auge da primavera as flores floresciam vigorosamente por toda cidade mágica que ficava dentro dos muros do castelo de Sephirot, o inebriante aroma de flores chegava até o alto das 10 torres do castelo da academia de magia que cercavam a cidade. As arvores, jardins e canteiros por toda parte tornavam o ambiente multicolorido um deleite para os olhos. O clima de vida e alegria estava por toda parte, era estranho passar pela praça da baleia e encontrar Zelda Dietrich toda desanimada em frente a uma fonte com uma baleia feita de água-marinha jorrando água cristalina formando um belo balé de pequenos arco-íris nos perdigotos que refletiam o sol. Zelda era filha de Eric Dietrich o diretor da academia de magia de Sephirot e de certa forma uma espécie de regente da cidade que ficava dentro do castelo. Por causa disso todos a conheciam, claro que isso não significava que ela tinha muitos amigos próximos. A maioria das pessoas que Zelda gostava estava fora da cidade, seja por causa das férias escolares ou por causa de negócios como seu pai e irmão mais velho. Por mais legal que sejam as férias de verão, por mais excitante que seja ter liberdade de se fazer o que quiser, sem ninguém pra te dar ordens, com o passar do tempo isso se torna muito chato, muito solitário. Ainda mais quando não se tem ninguém pra aproveitar isso com você. E não existe nada que um belo dia de primavera te deixe com mais vontade de fazer do que passar alguns bons momentos com as pessoas que se você gosta. Não que fosse o caso de que ela ficaria sozinha. Zelda passaria aquela semana com a família de sua irmã mais velha, Nimiane. Todos nós sabemos como irmãs mais velhas podem ser irritantes. Caso não saiba, talvez por não ter uma irmã maior, apesar de se muito bom ter irmãs maiores, existem algumas inconveniências: pra começar as eternas comparações como se você não tivesse personalidade própria e fosse uma copia de sua irmã mais velha. Além de ser implicante como toda irmã mais velha, Nimiane também era uma fada. Todos nós sabemos que as fadas são criaturas belas, graciosas, vaidosas, desmioladas e temperamentais de toda natureza. Talvez exceção de Nimiane que aparentemente possuía todas as qualidades de uma fada e nenhum defeito. (Com exceção do fato que era desmiolada. Ao que parece você não pode ser uma fada sem ser desmiolada.) Alem das usuais comparações que sempre faziam ainda havia o fato que Nimiane era uma princesa. Uma das seis filhas de Titânia a rainha de Firewood o que lhe dava uma posição política de muita importância. Zelda em geral tentava não se incomodar com isso, principalmente por que sua irmã praticamente a criou como se fosse sua mãe. Ela sempre achou estranho que o fato de Nimiane ter outras cinco irmãs que não eram dela. E apesar de não admitir para não magoar sua irmã, ela sempre teve muita inveja do fato da mãe de Nimiane estar viva, enquanto ela e seu irmão Derek não tinham mãe. Sem falar que Zelda se sentia excluída. Sua irmã sempre levava suas amigas e raramente sobrava algum tempo para ficarem juntas. Nunca a deixavam participar nas conversas e brincadeiras exclusivas para fadas e meninas mais velhas o que a deixava se sentindo sozinha e extremamente desconfortável. Além das cinco irmãs fadas, Nimiane possuía mais seis amigas inseparáveis, inclusive faziam parte do mesmo clube. O clube de eventos que era responsável por organizar todas as festas e atividades que aconteciam com os estudantes do castelo. Ela continuou se remoendo com a idéia de que seria excluída durante toda semana, até o momento fatídico em que todos se dirigiriam ao mundo das fadas. No ultimo momento voltou para casa pela porta dos fundos e foi até seu quarto aonde pegou suas malas que já haviam sido arrumadas pela sua irmã e a secretaria do seu pai, a senhorita Madison que era praticamente uma segunda mãe para ela. Quando chegou a sala para sua decepção encontrou a tropa das amigas inseparáveis de Nimiane. A academia de magia era muito grande e seus alunos organizaram todos os tipos de clubes, incluindo um clube afiliado ao corpo estudantil encarregado de todas as reuniões, encontros e festas promovidas pela academia. O clube de eventos, encabeçado pela irmã de Zelda, Nimiane e suas melhores amigas. Raye Avini era a melhor amiga de Nimiane e a segunda no comando do clube, excessivamente séria e mandona, mas ficava muito tímida na presença dos garotos. Ela estudava para ser uma musa, uma maga que faz magia e cria ilusões através de rituais de dança. Michele Acqua era quase tão meiga quanto a própria Nimiane. A mais tímida e inteligente da turma cuidava da administração do clube de eventos. Sua família tinha uma longa linhagem de alquimistas. Essa fama fazia com que ela fosse muito insegura e se esforçasse sempre nos estudos. Não havia muito que dizer sobre ela já que era uma pessoa bem discreta. Rita Baker era a aluna mais alta e mais velha da turma. Era muito atlética e ótima cozinheira, também fazia parte do clube de ginástica e de culinária. Ela estudava para ser uma Boticária capaz de fazer remédios, poções e cosméticos. Rita vinha de uma família de pessoas comuns e estava sempre maravilhada com tudo relacionado à magia. Durante as férias sempre ia visitar seus parentes e era a primeira vez que ia a Firewood. - Infelizmente Nycole não pode ir conosco. – Nimiane disse extremamente decepcionada. – Mamãe nos pegou de surpresa com esse convite. Havia outra bagagem na sala. Uma mochila velha e surrada. Bem diferente das bagagens alegres e bem cuidadas que as garotas gostavam de usar. Antes que pudesse dizer alguma coisa da cozinha surgiu uma figura alta e morena que ela conhecia muito bem... Rembrandt Kazam era conhecido por três celebres motivos. Primeiro por ter o lado esquerdo do seu corpo coberto por selos de magia que davam a impressão que era todo tatuado combinado com seus cabelos longos e negros lhe conferiam a aparência de um roqueiro. Segundo por ser um dos melhores jogadores de Laminas mágicas e conjurabol da sua idade. Dois dos mais populares esportes entre os jovens magos. E finalmente por sempre ter certo envolvimento em algum problema ou confusão. Ele era um rapaz misterioso, com um passado que provavelmente era triste, já que todos os adultos costumavam evitar sobre o assunto. Ele era um dos residentes da cidade e não tinha parentes para visitar ou qualquer outro lugar pra ir durante as ferias. Quem o conhecia sabia que era um eterno otimista e se dedicava completamente ao estudo de magias de cura, o que lhe deu habilidades próximas de um medico. Apesar de ser muito popular não tinha muitos amigos próximos tanto que muito poucas pessoas o chamavam pelo seu primeiro nome. Uma dessas pessoas Zelda conhecia muito bem, pois era sua irmã. Kazam despertava uma serie de sentimentos ambíguos em Zelda, de certa forma ela gostava muito dele, assim como gostava da irmã, mas sentia ciúmes da forma como sua irmã o tratava e ele tinha a habilidade de irritá-la como ninguém. - Oi coisinha! – Kazam a cumprimentou comendo uma goiaba que pegou na cozinha. - O que ele esta fazendo aqui? – Perguntou Zelda. - Eu o convidei. – Respondeu Nimiane como se tivesse entregando um presente. – Todas as garotas têm alguma coisa pra fazer essa semana e só nós três seria muito chato. Como os Volonaki foram pra Grécia com a Nycole e Lumina foi viajar com o professor Maddox e a senhora Jones, Kazam ia ficar sozinho. Então... Nycole era uma das melhores amigas de Nimiane, assim como Lumina, Kassandra e Janus Volonaki eram os melhores amigos de Kazam sempre estavam juntos. - Porque não foi com nenhum deles? – Zelda perguntou automaticamente. - Medhal pediu ajuda pra fazer alguma coisa, mas ele teve um chamado de emergência e acabei sem nada pra fazer. – Medhal era um dos instrutores da academia de magia e uma espécie de pai adotivo para Kazam. Ele queria muito que Kazam se interessasse pelo exercito e se tornasse um cadete assim como sua filha Yuna. – Além disso, a professora Divina disse que eu deveria ir. – Kazam coçou o queixo desconfiado, a professora Divina era responsável pelo clube de eventos, mas também era a principal professora de mântica e divinação além de uma Oráculo poderosa. - Eu sei que é bem menos gente do que você esperava. – Nimiane disse se desculpando. Podia se ver que estava decepcionada. – Mas eu espero que a gente se divirta bastante, mesmo assim. Zelda sentia que a ultima coisa que ia fazer era se divertir. Capitulo 3 No inicio das férias Ritinha estava em duvida do que fazer já que pela primeira vez ficaria na academia durante as ferias, mas quando sua tutora, a professora Divina pediu que tomasse conta das outras garotas do clube de eventos, pois teve um sonho premonitório aonde ela deveria ir ajudar Nimiane. Isso de certa forma a motivou e quando Nimiane a convidou para ir ao mundo das fadas teve certeza que suas férias seriam inesquecíveis. De todas as garotas do clube de eventos, Ritinha era a que menos teve contato com magia. Ela era uma garota normal sem nenhuma pretensão especial pelo futuro e que era um pouco interessada em astrologia, leitura do futuro em folhas de chá e simpatias. Não via nada de especial no fato de que toda simpatia que fazia funcionasse, afinal é isso que se espera de simpatias. A única coisa que Ritinha destoava das outras garotas é que tinha um fascínio por maquinas e engenhocas, adorava motores, rodas e principalmente engrenagens. Quando pequena tinha uma coleção de engrenagens que sempre lustrava e abriu um velho relógio de parede no seu quarto deixando as engrenagens à mostra. O lugar aonde Ritinha nasceu também não tinha nada de extraordinário, era uma dessas típicas aldeias, povoados ou cidades interioranas sem muitos recursos ou grandes acontecimentos aonde os cidadãos mais velhos comentavam de um incidente engraçado ocorrido 46 anos atrás como se fosse ontem, principalmente porque não havia muita coisa interessante para que se esquecesse deste incidente em particular. Também conheciam todas as pessoas pelo primeiro nome e presenciaram o nascimento de todos os membros mais jovens da comunidade. Algo que não era extraordinário já que todos os habitantes são convidados para esses eventos, que em geral são realizados na pracinha no centro da cidade. Um dia uma mulher misteriosa chegou com uma pequena comitiva na cidade, estavam de passagem procurando jovens com habilidades mágicas de cidade em cidade. Ritinha nunca se esqueceu de como a mulher era simples, diferente de tudo o que ouvira sobre bruxas e feiticeiras. Ela simplesmente pediu para que ela tocasse uma bola enfeitada que ascendeu uma luz azul. A principio ninguém deu muita bola pro fato de que ela tinha potencial para ser uma maga. Ritinha era o tipo da menina meio moleca que subia em arvores e brincava com os meninos, não tinha nada de sábio e misterioso como se esperava de uma bruxa ou feiticeira, nunca teve sonhos premonitórios ou mesmo intuição forte. Por um tempo toda sua família e amigos se interessaram pela novidade e a idéia de viajar para estudar fora gerou muito entusiasmo. Apesar das cartas que trocavam com os magos rapidamente foram se desinteressando e quando uma nova caravana chegou para acompanhar Ritinha, todos se surpreenderam, pois já não esperavam que ela realmente fosse estudar magia. Desde então Ritinha teve uma surpresa atrás da outra. A academia de magia e os seres mágicos estavam aquém das suas mais loucas fantasias. A magia que flutua pelo ar da cidade mágica a afetou de forma que ela ficou com uma força estrondosa e das varias especializações de magia que existiam, ela conheceu a engenharia mágica, aonde motores, rodas e engrenagens encantadas podiam criar qualquer maquina que ela pudesse imaginar. Em muito pouco tempo Ritinha se destacou como uma engenheira mágica excelente e muito criativa. Por mais que gostasse de visitar sua família nas férias estava anciosissima para conhecer Firewood em Ingarden. As garotas do clube de eventos sempre contavam historias muito interessantes sobre suas visitas as irmãs de Nimiane. Ritinha pegou sua bolsinha mágica e sem hesitar empacotou metade de seu dormitório, inclusive suas ferramentas e maquinas mágicas. Ela ganhou um medalhão de Xenoglossia que tinha um encantamento para se comunicar em qualquer língua. Mal sabia o que colocar na sua mala que acabou ficando grande e exagerada. Chegando à casa de Nimiane (que era uma mansão.) não conseguia tirar um sorriso bobo do rosto. Assim que todos se reuniram, saíram para estação. Não havia muitos motivos para mais conversas ou despedidas já que a casa estava vazia. Fecharam a casa e se dirigiram ao ponto de retorno mais próximo. Os pontos de retorno estavam espalhados por toda cidade e até em algumas partes da floresta e dentro das torres, eram como uma mistura de postos de vigilância com lojas de conveniência. Alguns eram grandes e equipados outros pequenos e rústicos. Serviam para vender mantimentos de emergência, relatar informações, entregar objetos perdidos, postar mensagens nos quadros de avisos e o mais útil nestes postos eram as salas moveis pagas que poderiam levar para qualquer ponto da cidade. Você deve estar se perguntando o que seria uma sala móvel paga. As salas móveis, a primeira vista são salas normais como qualquer outra sala, seja uma sala de estar, uma sala de espera, uma sala de chá ou uma sala de descanso. A diferença entre a sala móvel é que elas se movem. Você entra nela e quando a porta se abre novamente esta em outro lugar. Como um grande e confortável elevador que além de ir para cima e para baixo também vai para um lado, para outro, para frente, para trás, faz curvas e enfim... Vai para todas as direções que quiser. Deixando a mansão dos Dietrich se dirigiram ao ponto de retorno do distrito de Daleth, também conhecido como bairro da imperatriz. Era uma simpática casinha redonda que parecia uma padaria. Havia um gostoso cheirinho de pão e uma doce e sorridente atendente por trás do balcão. Em um lado do estabelecimento as típicas poções e mantimentos que se compram em pontos de retorno estavam expostos em uma prateleira de madeira, também havia outros produtos como pães, doces e frutas. Na outra ponta algumas mesas com uns simpáticos duendes tomando chá e comendo bolinhos. - Nós queremos ir até a estação da esfinge. – Pediu Nimiane mostrando sua identificação. Apesar de parecerem praticas e a primeira vista parecerem indicadas como transporte público o uso das salas moveis era bem rigoroso em Sephirot. Precisavam de permissões especiais dependendo do lugar que se queria ir. Um aluno recém chegado tinha sua movimentação muito limitada, assim como visitantes. Nimiane tinha muitas vantagens, era uma residente da cidade, uma fada de Ingarden, presidente do clube de eventos, estudante exemplar e filha do diretor da academia. Por isso tinha permissão como ninguém. Principalmente quando se trata de ir a estação da esfinge que era de uso restrito. Assim que pagou a taxa entraram por uma porta de madeira dupla. As salas moveis pagas dos pontos de retorno eram maiores e mais rústicas que as salas do castelo que são usadas pelos alunos. Zelda tratou de dar uma rápida busca pela sala, era comum encontrar itens interessantes perdidos por algum aluno que estava com pressa. - Para onde desejam ir? – Perguntou a sala. Caso algum dia tenha a oportunidade de usar uma sala móvel, é bom saber que elas são conscientes, controladas por espíritos ascensoristas. Podem conversar com você, te criticar e se as irritar, acidentalmente podem te deixar no lugar errado. Nimiane respondeu e deixou sua passagem com uma mão de bronze que saiu de uma fenda próximo a porta. A estação da esfinge ficava bem longe e demorava alguns minutos. Primeiro por ficar do outro lado da cidade e segundo por ficar em outro mundo. Não sei se você sabe, mas o castelo de Sephirot, assim como toda ilha de Avalon existe em vários mundos ao mesmo tempo, não é raro você pegar uma porta em nosso mundo e sair em outro completamente diferente. Passagens para outros mundos não são tão raras quanto se imagina, uma pessoa pode virar uma curva ou atravessar uma cerca e por um incidente geológico cósmico parar em um mundo completamente diferente, é mais comum do que se pensa. Claro que existem locais onde esses fenômenos são mais comuns e a ilha de Avalon onde fica o castelo de Sephirot é um desses pontos. Alias toda a ilha de Avalon não fica exatamente em nenhum mundo, mas entre eles, por isso é comum se passar por aquela região sem encontrar a ilha. Saindo em Ingarden (o mundo das fadas) se encontrava uma paisagem completamente diferente. Era outono e todas as folhas estavam marrons e avermelhadas, o céu estava cheio de nuvens das mais variadas formas e um vento fresco e com cheirinho de folhas secas acariciava tudo e todos. Por fora a construção do castelo era sempre a mesma, mas por dentro se encontrava coisas completamente diferentes. Em geral os construtores do castelo souberam usar muito bem o espaço multidimensional e os espaços além de maiores por dentro do que por fora tinham saídas para os outros mundos que o castelo ligava. Existiam duas estação no castelo, com o mesmo tamanho e a mesma posição, mas em mundos diferentes. A estação da esfinge tinha o mesmo tamanho da estação de trens em nosso mundo. Que era muito semelhante aos terminais de trem ingleses do nosso mundo. Isso por ter sido construído por ingleses. Já a estação da esfinge seguia um padrão bem diferente. Não existem muitas linhas de trem em Ingarden, já que os caminhos não são confiáveis. Nunca se sabe se determinada parte do chão estará lá amanha, seja por algum dragão que possa arrastar sua calda, um tornado curioso ou mesmo o chão ser na verdade alguma criatura que estava adormecida por alguns séculos e resolveu acordar depois que construíram trilhos por cima de suas costas. A estação da esfinge tinha muito pouco em comum com a estação de trem. Havia vários pisos onde dirigíveis e embarcações flutuantes estavam ancoradas. As mais comuns pareciam barcos com o fundo do casco mais longo. Assim que entraram puderam ver uma embarcação partindo por uma grande passagem na parede no mesmo local onde ficava a saída dos trens em nosso mundo. Kazam deu uma boa olhada nas embarcações e em quem estava embarcando. Em geral eram comerciantes e habitantes das redondezas que trabalhavam no castelo. Havia duendes, paxas, fadas, gnomos e toda sorte de criatura que já foram comuns em nosso mundo, mas fervilhavam em Ingarden. - Qual desses vai até Firewood? – Perguntou Ritinha parando subitamente e atrapalhando a passagem de uma família apressada de Texugos que estava tentando traficar uma maleta de sementes de gergelim. Não que Texugos sejam particularmente interessados em sementes de gergelin, todos sabem que eles são loucos por carne com mel e sementes de gergelim são usadas para fazer uma droga alucinógena muito potente em ursos de pedra e esses são conhecidos por suas criações de abelhas. - Não vamos em um desses. – Nimiane rangeu os dentes em um sorriso que mostrava seus dentes brilhantes. Entusiasmada pulou em direção ao balcão de checagem. No balcão de checagem receberam as recomendações usuais. Havia uma serie de precauções que deveriam ser tomadas como em toda viagem longa, vacinas para doenças locais, cuidados sobre as diferenças no ambiente e respeito às leis locais. O mundo de Ingarden possui uma quantidade de magia muito elevada no ar e pessoas normais tendem a adoecer sem a devida preparação, assim como os seres de lá tem problemas semelhantes em nossa atmosfera. Quanto as inevitáveis diferenças culturais, os dois aspectos mais importantes são os fatos de que assim como no nosso mundo em Ingarden a maioria dos habitantes não acredita em nossa existência e a lei da troca equivalente que funciona por trocas. Por isso se estiver no mundo das fadas, tome cuidado com favores e presentes, pois terá que pagar em igual valor. Sempre é bom se chegar duas horas e meia com antecedência quando se vai passar por uma checagem antes de uma viagem. Por sorte o atendente era siciliano, por isso não tiveram que esperar muito. Ao subir pelas escadas que davam para o outro extremo da estação chegaram a uma plataforma aonde havia uma serie do que pareciam ovos ricamente enfeitados maiores do que carros. Não eram ovos de verdade, apenas tinham a forma. Eram feitos de metal e tecido muito bem trabalhados, a parte de cima era uma redoma de vidro por onde podiam se ver confortáveis sofás postos em circulo. Michele observava curiosa por saber como eles viajariam naquilo. Como uma alquimista estava acostumada a ter uma idéia razoável de como funcionavam as coisas. Em geral em Ingarden todos se satisfaziam com o fato das coisas funcionarem e não faziam mais perguntas. - Parecem ovos Fabergé. – Michele comparou aqueles ovos as jóias criadas pelo joalheiro russo Peter Carl Fabergé para os Czares russos no final do século XIX. Os ovos eram feitos com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, são consideradas obras primas da arte joalheira. - Nós vamos de ovo? – Perguntou Kazam. - É aqui pertinho mesmo. – Justificou Nimiane. Um senhor de uniforme os acompanhou até o primeiro ovo da fila abriu a cúpula e mostrou um compartimento para guardarem a bagagem e ajudou a guardá-las. - Muito obrigado! – Agradeceu Kazam. – Depois de carregar essas bagagens por toda parte eu to só a casca. O senhor fez um sinal e foi então que Ritinha percebeu que na parede logo atrás dos ovos havia uma longa abertura onde um grupo de esquilos voadores estavam ao que parece comendo nozes, conversando e lendo jornal. Um dos esquilos planou até o ovo, fez alguns sons e estalos característicos de esquilos e o homem respondeu. – Firewood por favor. O esquilo concordou com a cabeça e correu para dentro do ovo em algum lugar que não se podia ver, mas passou de relance por algumas das janelinhas de vidro em direção a uma das extremidades. - Direto ao trabalho. – Elogiou Kazam. - Gosto disso. Não é do tipo que fica pisando em ovos. - Posso sentar na frente? – Perguntou Zelda. - Clara! Não gema depois. – Kazam cedeu seu lugar. - Algum problema? – Nimiane se preocupou com Michele. - Isso não me parece muito... Certo. - Pode entrar. – Garantiu Kazam. - Você não pode ter uma omelete antes de quebrar os ovos. Ritinha não sentia nenhuma segurança naquilo, mas sabia que seus amigos não a levariam para nada perigoso. Pelo menos que soubessem que fosse perigoso. Um braço de madeira conduzido por uma serie de cordas se encaixou no ovo e o ergueu pela plataforma. Os enfeites doirados em volta do ovo se desenrolaram e se esticaram em asas enormes. Assim que o braço de madeira se esticou para fora da estação o ovo alçou vôo. Ritinha se prendeu a cadeira apavorada. Seu estomago parecia flutuar no ar e seu coração batia como se quisesse sair de seu peito. Um ovo voador guiado por um esquilo não era a coisa mais segura para Michele ou para qualquer pessoa que pudesse algum dia dizer que já teve juízo. Ela só podia ficar encolhida o Maximo possível com os olhos fechados. - Esta voando! - Vamos ovacionar. – Kazam aplaudiu. - CALABOCA KAZAM! – Gritou zelda. Ela já havia visitado Firewood usando os ovos, mesmo assim compartilhava dos sentimentos de Michele e ficou agradecida com a ação dela, pois se sentiu livre pra fazer a mesma coisa e se encolheu em sua poltrona. O ovo sobrevoou a floresta escarlate de Firewood. As cores das folhas pareciam refletir desde as águas dos rios, a neve no alto das montanhas, chegando as nuvens do céu. O vento brincava com as folhas soltas fazendo com que dançassem em círculos pelo ar. Flutuaram por entre as arvores milenares do tamanho de arranha-céus. Podia se ver claramente a cidade das arvores, come suas casas construídas como ninhos nos galhos das arvores. Toda a cidade das fadas estava enfeitada com fitas de alegria, brilhos de estrela com raios de sol e aroma de mar. Fariam uma grande festa. No centro de Firewood chegaram até o castelo de Titânia, construído em uma magnífica arvore de mana cujo topo parecia alcançar as nuvens, quando se olhava do chão. Em meio a dois galhos havia uma grande praça construída com madeira da própria arvore aonde o ovo pousou gentilmente. As asas pararam de bater e novamente se enrolaram em volta do ovo. Assim que a redoma surgiu o esquilo falou com Nimiane que lhe entregou uma grande moeda de bom grado. Pequenos Gnomos, Paxas que parecem animaizinhos, fadas de todas as cores e tamanhos e Djins da terra, do tamanho de crianças com a pele semelhante à madeira surgiram entusiasmados cumprimentando Nimiane e curiosas com os novos visitantes, principalmente Kazam. Não havia muita moderação em como o povo de Firewood tratava sua realeza. Pareciam tietes em cima de uma celebridade. Como parece que as fadas são desmioladas em pouco tempo elas perdem o interesse na tietagem já que as visitas de Nimiane eram bem freqüentes. Logo as atenções se voltaram aos novos visitantes que eram a novidade do momento. Os visitantes foram praticamente empurrados para outra praça onde estava acontecendo uma animada festa com muita musica saindo das flores e comida que agradava o paladar dos mais exigentes. As árvores altas e cheias cobriam todo o céu com um teto de folhas com um colorido outonal, iluminadas pelo sol acima delas. Havia muito musgo no chão e cogumelos tão grandes e velhos que chegavam ao tamanho de pequenas arvores. Os habitantes de Firewood se divertiam com as mais variadas brincadeiras, o dia passou em um instante. Ritinha não conseguia tirar o sorriso do rosto e Zelda se esforçava para não se animar com a turma. Rembrandt estava cercado por fadas como abelhas em uma colméia. - Já esta anoitecendo! – Reparou Michele. – Vamos subir porque já perdemos o almoço e não quero perder o jantar. - Anoitecendo? – Ritinha se espantou. – Nem percebi o tempo passando. - O tempo voa quando esta se divertindo. – Declarou Kazam. – Agora você sabe por que nas historias de pessoas que vieram parar em Ingarden dizem que ficaram apenas uma tarde quando se passou varias semanas no nosso mundo. - Isso também é efeito do excesso de mana no ar. – Raye deu um copo de um liquido que cuidadosamente guardava em um cantil. – Você fica eufórica e hiperativa, como seu corpo não se cansa não percebe a passagem do tempo. Se não tomar o remédio isso sobrecarrega o organismo. Ritinha tomou o remédio e todos foram pelas grandes pontes de cordas para o castelo das fadas que se estendia entre os galhos por varias arvores de mana, mais parecendo um acumulo de casas interligadas do que um único castelo. Como as fadas e Djins podiam voar as pontes serviam mais como observatórios ou descansos ou no máximo para transporte de material e não tinham uma ligação eficiente, por isso tiveram que dar uma bela volta pela cidade para chegar ao castelo. Em toda parte havia festa e algo para se ver. - Ei! Eu reconheço algumas garotas da escola! – Ritinha reconheceu algumas fadas que também estudavam em Sephirot. – Aquela ali não é a Guilgud, amiga do irmão da Nimiane? - Sim! Sim! – Reconheceu Raye. – Mas esse é o nome que ela recebeu em Outgard. Por aqui o nome dela é Canelinha. - Canelinha? – Ritinha não se conformou. - Por aqui é comum as fadas terem nomes de temperos e outras comidas. Nossos nomes também precisam ser traduzidos, elas não compreendem nossa mistura de nome. Como você: Rita é italiano, uma variação do grego Margret... Acho que é perola. Baker vem do saxão “Bacan”, acho que significa “secar com calor”, não tenho certeza. - Baker é “Bacan”? – Ritinha se surpreendeu. - Eu sempre pensei que fosse padeiro ou doceiro. Como você sabe tanto de nomes? - Mântica. Seu nome pode influenciar no seu destino. Você devia se inscrever nas aulas de Mântica avançada este ano. - Eu estou satisfeita como boticária e essas coisas de adivinhação não combinam muito bem comigo. – Rita voltou ao assunto. – Então não vão me chamar de Rita por aqui? - Provavelmente vão te chamar de Pérola. – Nimiane se intrometeu. – Mas, se quiser podem te chamar de confeiteira ou doceira se quiser. Raye por aqui é ovelhinha, Michele é Aguinha, o Rembrandt é o Espada e meu nome de verdade é Cajuzinho. - Como assim... Nome de verdade. - Eu sou uma fada de Ingarden, quando fui pra Outgarden eu escolhi o nome Nimiane por causa da minha tia que também se chama Nimiane em Outgarden. - Sua tia Nimiane? – Rita ficou espantada. – A rainha de Avalon? Ela é irmã da rainha Titânia? - Por aqui não chamam minha mãe de Titânia. – Cochichou Cajuzinho. - O nome dela é Moranguinho. - Rainha Moranguinho e princesa Cajuzinho? Eu vou ter dificuldade de me acostumar com isso. Além disso, eu pensei que essas frutas fossem do nosso mundo. - Todas as frutas que vieram após a era glacial são originarias deste mundo. – Respondeu Ovelhinha. - Muita informação. – Rita balançou a cabeça. – E como chamamos a Zelda? Como eu devo chamá-la? - O nome da Zelda é um problema. Em prussiano significa “batalha sombria” o que não é muito apropriado por aqui. – Ovelhinha deu de ombros. – Chamavam-na ela de Felicidade por causa de Zelde que é Iídiche, mas como ela parece não gostar, agora todos a chamam de Baronete. - Sabe. – Sorriu Cajuzinho fazendo gestos com a mão. – Porque meu pai é um Barão! - Você fala como se não existissem outros barões por aqui. - E não existem. – Confirmou Ovelhinha. – A realeza em Ingarden se limita a reis, rainhas, príncipes e princesas. Os gnomos, os Djins e as Paxas possuem seus próprios reis e comunidades. Eles escolheram as fadas como governantes da floresta por serem neutras. A rainha Moranguinho é como uma espécie de líder comunitária. Não existe aquela coisa de realeza do nosso mundo. - E por aqui Não tem leis? Quero dizer... O que acontece quando um crime grave é cometido? - O criminoso é banido ou linchado pela multidão. – Cajuzinho respondeu tranquilamente. - Que horror! – Rita ficou chocada. – Quando foi a ultima vez que alguém cometeu um crime? - Eu não sei! – Cajuzinho pensou seriamente. – Não lembro de isso ter acontecido. O caminho ficou um pouco difícil de se prosseguir, porque próximo ao castelo começara a corrida das fadas e todo mundo se amontoava nas pontes pra ver. Já era noite quando chegaram ao castelo. No alto da copa das arvores redes de pedras do sol captaram a luz solar por todo o dia e ao anoitecer as redes foram baixadas iluminando toda a cidade, como estrelas que brotavam das arvores como flores. Até Zelda não conseguiu ficar emburrada com a visão do florido castelo escarlate. No grande salão Cajuzinho pode ver suas irmãs mais velhas (Que não pareciam nem um pouco mais velhas.), Amorinha, Cerejinha, Uvinha e Framboesinha um pouco desanimadas. (O que era muito estranho.). - O que esta acontecendo? – Perguntou Cajuzinho preocupada. – A floresta toda esta preparada pra uma festa. Porque estão tristes? – As quatro balançaram a cabeça e desviaram olhares. Estavam tão arrasadas que mal podiam falar. - Aconteceu algo com a festa? - Você sabe qual é o motivo da festa? – Perguntou laranjinha fungando de tanto chorar. - Agora que você falou... Esqueci de perguntar. – Cajuzinho como todas as fadas era desmiolada e esquecia da vida quando estava se divertindo. Pêsseguinho a irmã mais nova antes de Cajuzinho surgiu com um vestido de folhas amarrotado e com os olhos inchados de tanto chorar. Preocupada correu até sua irmã cheia de palavras de alento, tentando descobrir o que havia de errado. Em meio a soluços, a princesinha conseguiu falar. – É o meu casamento. Mântica (grego: arte do vidente; -mância). Capacidade de prever o futuro de modo extra-racional. A mântica tem por objetivo a percepção do saber e da vontade de entidades superiores para orientar o agir humano. Costuma-se dividir a mântica em mântica indutiva e mântica intuitiva. A mântica indutiva percebe o saber e a vontade do ente superior de modo direto. A mântica intuitiva tenta perceber o saber e a vontade do ente superior através de elementos que indiretamente revelam as coisas ocultas. Neste grupo o Tarot é um bom exemplo. Outgarden. O nome dado no mundo das fadas para o nosso mundo.
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